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Vida a dois: como casais devem administrar as finanças

O planejamento financeiro é um dos pilares da vida a dois em harmonia. Boas estratégias podem fortalecer o vínculo afetivo. Descuidos, por vez, costumam causar desgastes em uma relação antiga ou recente.

No artigo de hoje, vou apresentar algumas reflexões e dicas sobre a administração das finanças na vida a dois. Casais de todas as idades devem encarar esse tema com seriedade e jamais deixá-lo em segundo plano. Vejam como fazer isso.

O que significa ser inteligente?

Quem acompanha meu trabalho sabe que vários dos meus livros e meu curso on-line têm a palavra “inteligente” no título: Casais Inteligentes, Investmentos Inteligentes, Inteligência Financeira, Pais Inteligentes. Mas por que optei por esse termo? O que quero dizer com ele?

O primeiro ponto a ser compreendido é que uma pessoa inteligente sob o ponto de vista financeiro não é necessariamente alguém com QI alto. A inteligência de que tanto falo tem muito mais a ver com o autoconhecimento. Pessoas que buscam se entender como indivíduos se habilitam a fazer melhores escolhas, inclusive na gestão das finanças.

A lógica vale também para casais. Na vida a dois, conhecer bem a si mesmo e à pessoa amada tem papel decisivo na administração do dinheiro. Como expressa o título do meu livro mais famoso, “casais inteligentes enriquecem juntos”.

Converse sobre dinheiro

Muitas pessoas levam ao pé da letra a palavra “juntos” no título “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”. Quando criei esse nome, não quis dizer que apenas uma conta conjunta é capaz de solucionar os problemas na vida conjugal. Perceba que a ideia é mais ampla e passa diretamente pelo poder do diálogo. O ideal é que os planos sejam feitos a dois, mesmo que sejam mantidas contas individuais.

Uma das grandes armadilhas na vida a dois é tratar o dinheiro como um tabu. Quando as pessoas não conversam sobre as finanças da família, há grandes chances de surgir problemas mais à frente. O diálogo é fundamental na construção de um bom planejamento e melhora a relação com o dinheiro.

Se você perceber que seu cônjuge resiste em conversar sobre o tema, procure romper essa barreira. Seja paciente e aponte as vantagens em falar sobre dinheiro. É importante que a outra pessoa entenda que ambos têm muito a ganhar com o diálogo.

O que pertence a cada pessoa?

Conversas com seu par ajudam a esclarecer o que pertence a cada um e o que é do casal. Alguém pode imaginar que os extratos bancários de cada pessoa determinam essa divisão. No entanto, a grande referência nesse aspecto é a certidão de casamento, que indica o regime matrimonial adotado. Existem quatro possibilidades: a comunhão universal de bens, a comunhão parcial de bens, a separação total de bens e a divisão de aquestos – sendo os dois primeiros regimes de casamento os mais comuns.

Na comunhão universal de bens, tudo é dividido entre as duas pessoas, inclusive aquilo que elas acumularam antes do casamento. Já a comunhão parcial de bens – regime mais usual – prevê a divisão igualitária somente do que foi conquistado a partir da união.

Imposto de renda: como declarar investimentos a dois

Ainda que saibam o que pertence a cada pessoa, muitos casais têm dúvidas sobre a declaração do imposto de renda. Os questionamentos, na maioria das vezes, envolvem a discriminação de investimentos.

Uma situação recorrente é a abertura de conta com foco em aplicações – em uma corretora ou banco digital, por exemplo. Se a conta fica no nome de uma das pessoas, como declarar os rendimentos no imposto de renda?

Muitos casais optam por abrir duas contas separadas para que cada um invista individualmente. Essa alternativa não impede a declaração conjunta do imposto de renda, que tem um dos dois como dependente.

O cuidado a ser tomado é descrever os investimentos realizados na sua declaração individual. Já a declaração conjunta terá também esses descritivos do dependente, mas com os campos de valores zerados. Isso porque os valores reais já terão sido apresentados na declaração individual.

Há um ponto bem importante nessa questão. No caso da comunhão parcial de bens, você deve se atentar para a separação entre antes e depois do casamento. Perceba que o que foi conquistado antes da união não pode se misturar ao que é posterior.

Planejamento deve ser conjunto

As regras sobre o imposto de renda ilustram bem a importância de um planejamento feito a quatro mãos. É fundamental que ambos saibam o que está no nome de cada um, não apenas para fazer a declaração corretamente, mas também para manter a saúde da relação.

Um bom planejamento é aquele que coloca todas as cartas na mesa. Em outras palavras, os dois devem saber quanto cada um ganha e o que se faz com o montante que resulta da soma dos dois rendimentos mensais. O dinheiro deve ser tratado como uma coisa só, pois a separação entre o que é de um e de outro pode gerar atritos.

Essa recomendação vale também para quem vem de outro casamento e tem outros dependentes. Ainda assim, a renda é do casal. Portanto, ambos precisam discutir qual parcela dessa renda será direcionada para honrar esses compromissos anteriores à união.

Na vida financeira do casal, 1 + 1 = 3

O montante dos dois salários tem de prever também quanto será destinado à concretização de planos. Quando digo isso, não me refiro apenas àquela viagem que você e seu cônjuge pretendem fazer. Esse é um exemplo de plano do casal. Mas cada um tem seus próprios anseios, que não podem ser desprezados.

Entenda que um casamento não anula a individualidade dos cônjuges. Por isso, costumo dizer que casais devem entender que um mais um é igual a três. Existem os seus objetivos, os do seu parceiro e aqueles que vocês pretendem conquistar juntos.

Suprimir os desejos de uma das pessoas pode representar uma bomba-relógio. Quando essa pessoa percebe que se anulou por muitos anos, a bomba explode e pode até acontecer um divórcio tardio.

Estilo de vida adotado deve ser fruto de consenso

A soma que apresentei acima tem de considerar um aspecto tão importante quanto a construção de planos. O estilo de vida adotado deve ser fruto de comum acordo entre as duas pessoas. Não é saudável, por exemplo, que um seja adepto da ostentação, enquanto o outro segura os gastos de forma radical. O equilíbrio é a chave para a harmonia.

Muitas pessoas podem concordar em limitar excessivamente os gastos com qualidade de vida e lazer em nome de estabilidade futura. Ainda assim, recomendo que você e seu cônjuge não abram mão de forma radical dos gastos com lazer. Boa parte do dinheiro destinado a isso pode fortalecer o vínculo afetivo e contribuir para a construção de planos futuros.

Portanto, na vida a dois, a união vale também para o planejamento financeiro. Se você e seu cônjuge ainda não investem ou desejam melhorar suas escolhas, confira este outro artigo do blog.

Postado em 25/11/2019
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